O cosmético que usamos no dia a dia pode ter relação com câncer?

em Kokua Blog

Neste Outubro Rosa, lançamos uma enquete na comunidade Kokua: cosmético que você usa pode ter relação com câncer? Mito ou verdade? A maioria respondeu "verdade".

Alguns produtos e ingredientes têm relação estudada com a doença, e certas substâncias podem interferir nos hormônios. Conhecê-las ajuda a fazer escolhas melhores e mais conscientes.

O que são desreguladores endócrinos?

Desreguladores endócrinos (ou hormonais) são substâncias químicas, naturais ou sintéticas, que alteram o funcionamento do sistema hormonal. Eles podem substituir, bloquear, aumentar ou diminuir a ação de hormônios no corpo. Estão no ar, na água, em embalagens de alimentos, em plásticos e em parte dos cosméticos, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria.

Hormônios agem em quantidades muito pequenas, e a SBP reconhece que ainda não se sabe qual dose dessas substâncias causa dano à saúde humana. Diante dessa incerteza, a postura mais sensata é a precaução: reduzir a exposição que dá para evitar.

Nos cosméticos, vale conhecer quatro deles:

  • Parabenos: conservantes de cremes, géis e xampus. No rótulo, terminam em "-paraben". Têm ação hormonal fraca, e a União Europeia já baniu cinco tipos.
  • Ftalatos: ajudam a fixar perfumes. Quase nunca aparecem no rótulo, porque ficam dentro de "parfum" ou "fragrance".
  • Oxibenzona: filtro de protetores solares, chamado de benzophenone-3 no rótulo. A Europa reduziu o limite permitido por dúvidas sobre efeito hormonal.
  • Triclosan: antibacteriano presente em alguns sabonetes e cremes dentais.

Onde esses ingredientes aparecem no esporte?

Uma rotina de treino ao ar livre soma vários produtos na pele: protetor solar, antiatrito, gel de massagem, desodorante, xampu e finalizador. Nessas categorias, os pontos de atenção mais comuns são filtros como a oxibenzona, conservantes como os parabenos, silicones cíclicos e fragrâncias, que podem esconder ftalatos.

Protetor solar

Para quem treina ao ar livre, protetor é item obrigatório: o sol é fator de risco para câncer de pele, segundo o INCA. Vale preferir fórmulas sem oxibenzona, já que há muitos filtros alternativos aprovados. Trocar de protetor faz sentido; deixar de usar, não.

Antiatrito e vaselina

A vaselina (petrolatum, no rótulo) é comum em antiatritos. Refinada, é considerada segura e não está entre os desreguladores hormonais conhecidos, mas produtos mal refinados podem trazer contaminantes, como já foi encontrado em bálsamos labiais.

Vale olhar também o resto da fórmula: fragrância, conservantes e silicones cíclicos (como cyclopentasiloxane), que a Europa vai limitar a partir de 2027.

Na KOKUA, escolhemos não usar petrolatos e silicones.
 Como a qualidade do refino varia e a vaselina vem de uma fonte não renovável, seguimos o caminho da precaução: o Antiatrito Concentrado e o Creme Protetor para os Pés usam uma tecnologia inovadora de origem natural e biocompatível.

Géis e desodorante

Géis e cremes de recuperação ficam horas na pele, em áreas grandes como pernas e costas, então vale olhar conservante e fragrância. 

A Kokua, primeira marca brasileira de cosméticos esportivos clean beauty, tem fórmulas veganas, sem testes em animais e sem petrolatos, parabenos, silicones, sulfatos, ftalatos e fragrâncias artificiais. O Gel Pós-Treino combina jambu nanovetorizado, menta e romã; o Creme Protetor para os Pés usa óxido de zinco, calêndula e copaíba na prevenção de atrito e bolhas. Conheça a linha.

E no cabelo?

Produtos de cabelo são uma fonte importante de exposição a desreguladores. Pesquisadores do Silent Spring Institute analisaram 18 produtos capilares usados por mulheres negras nos Estados Unidos e encontraram 45 substâncias com potencial desregulador ou associadas à asma: todos tinham fragrância e 78% continham parabenos. Alisantes e tinturas permanentes pedem atenção extra.

Nos alisantes, o cuidado é com o formol: proibido pela Anvisa como alisante, ele é cancerígeno, e produtos vendidos como "sem formol" podem liberá-lo quando aquecidos pela chapinha, segundo o INCA. Na dúvida, use só alisantes regularizados na Anvisa.

As toxinas se acumulam no corpo?

Alguns poluentes, como o DDT, se acumulam na gordura do corpo. Ftalatos e parabenos, não: ficam pouco tempo no organismo. O ponto de atenção é a reexposição diária, porque usamos vários produtos todos os dias. A boa notícia é que trocar produtos reduz os níveis rapidamente.

No estudo HERMOSA, da UC Berkeley, 100 adolescentes trocaram seus cosméticos por versões sem ftalatos, parabenos, triclosan e oxibenzona. Em três dias, os níveis dessas substâncias na urina caíram até 45%. O que pesa é a soma de pequenas exposições repetidas, e ela responde rápido a escolhas simples.

A alimentação também expõe a desreguladores?

Sim, e é a principal porta de entrada. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, a maioria dos desreguladores endócrinos é absorvida pelo sistema digestivo, por meio de alimentos contaminados e do contato com embalagens. Por isso, o cuidado com o prato faz parte da mesma conversa sobre o que passamos na pele.

Em um estudo do Silent Spring Institute, famílias que comeram só alimentos frescos por três dias, sem enlatados nem embalagens plásticas, reduziram o bisfenol A (BPA) na urina em 66%. É o caminho que o Guia Alimentar para a População Brasileira já recomenda: preferir alimentos in natura ou minimamente processados, com o velho arroz com feijão como base.

Na prática:

  • Monte o prato com comida de verdade: arroz, feijão, legumes, verduras e frutas
  • Reduza ultraprocessados e enlatados
  • Não aqueça comida em pote plástico no micro-ondas
  • Prefira vidro e inox para armazenar

Como ler o rótulo do seu cosmético em 3 passos

  1. Encontre a lista de ingredientes, escrita na nomenclatura internacional INCI.
  2. Procure os nomes que merecem atenção:
    • terminados em -paraben, em especial propylparaben e butylparaben
    • benzophenone-3 (oxibenzona)
    • triclosan
    • cyclotetrasiloxane, cyclopentasiloxane e cyclohexasiloxane
    • formaldehyde e liberadores de formol, como quaternium-15
    • parfum ou fragrance sem detalhamento
  3. Confira o número de registro ou notificação na Anvisa, que pode ser consultado no portal da agência.

O que de fato reduz o risco de câncer de mama?

Segundo o INCA, cerca de 17% dos casos de câncer de mama poderiam ser evitados com hábitos saudáveis: praticar atividade física, manter o peso adequado, evitar bebidas alcoólicas e amamentar. Além disso, o rastreamento e a atenção a mudanças nas mamas permitem diagnosticar cedo, quando as chances de tratamento são maiores.

O câncer de mama é o mais incidente entre as brasileiras depois do de pele não melanoma, e a inatividade física está na lista oficial de fatores de risco do INCA. Treinar também é prevenção. O Ministério da Saúde recomenda ainda mamografia a cada dois anos dos 50 aos 74 anos, e qualquer alteração nas mamas deve ser avaliada por um médico.

Escolhas pequenas, todos os dias

Na Kokua, acreditamos na transformação a partir de pequenas escolhas, mais conscientes: comida de verdade, movimento, atenção ao rótulo e exames em dia. Neste Outubro Rosa, compartilhe este texto com quem precisa.

Para conhecer nossas fórmulas, acesse kokuabr.com.

Conteúdo informativo. Não substitui a orientação de médicos ou outros profissionais de saúde.

Fontes

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